quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

10-6

10 - Nils Frahm: Felt

É piano clássico minimalista com arranjos electrónicos ao estilo lo-fi. Há uma chuva de estática que percorre todo o álbum. Podia ser o meu sucessor do Infra do Max Richter de 2009, mas não consegue atingir a mesma profundidade, exactamente por ser demasiado minimalista. O disco começa com uma sequência muito boa (Keep, Less e Familiar) mas depois vai perdendo o envolvimento por não haver grandes variações. As músicas continuam a ser muito boas mas tem que haver um maior esforço para não descolarmos do som. Dá a clara sensação de que ele consegue chegar bem mais longe no piano do que demonstra, como podemos testemunhar no épico de 9 minutos que fecha o álbum, More. Este é um disco para se ouvir com um estado de espírito positivo, senão lá se vão os pulsos. É um álbum que precisa de várias audições.



9 - Arrange: Plantation

Um projecto de um miúdo chamado Malcom Lacey, que faz música como se fosse alguém com rugas e com uma experiência de vida considerável. É um disco intimista em que a melancolia do piano desempenha o papel principal. É o meu sucessor do Hospice de 2009, dos The Antlers. Vai mesmo "lá ao fundo". Em When'd You Find Me?, algo que me (nos?) acontece milhões de vezes: "Then head home take a pill, fall asleep for a month, and wake up with a new face". O disco tem ainda duas bonus tracks que fogem completamente ao álbum. Pode ser que seja uma dica para o futuro, Sore (R&B) e I Tried to Wash Your Clothes (Dream Pop).



8 - Radiohead: The King of Limbs

Voltaram ao experimentalismo. Não, não é o OK Computer e também não é o Kid A, mas é mais um disco fenomenal destes mestres da música. Não é tão imediato como o In Rainbows. É um puzzle de guitarras com bateria frenética e sintetizadores descontrolados que ganham nova forma a cada audição. Até a Feral, que à primeira vista é um WTF!? prova, ao fim de algum tempo, que afinal é possível descortinar ali algum sentido melódico. O Thom Yorke dá descanso aos nossos ouvidos na sequência final do álbum com a Codex e Give Up The Ghost. Para terminar, volta à carga com mais experiências na Separator. A todos os críticos furiosos deste álbum, um conselho: sentem-se confortavelmente, oiçam a Codex e relaxem. Deixem-se levar...



7 - St. Vincent: Strange Mercy

A Annie Clark, neste disco, faz da guitarra um brinquedo. Um abuso! Os finais das músicas são quase todos épicos. Surgeon e Northern Lights são excelentes exemplos. Em Champagne Year, touché: "I make a living telling people what they want to hear / It's not a killing but it's enough to keep the cobwebs clear". Em Dilettante: "Oh Elijah, don't make me wait / What is so pressing? / You can't undress me anyway". Desculpa Elijah.



6 - The War On Drugs: Slave Ambient

Uma excelente banda sonora para uma road trip. A fusão da voz, que faz lembrar Bob Dylan, com a guitarra e com a harmónica cria um efeito quase hipnótico. É um disco contínuo, sem pausas. Há bandas que usam esta técnica e tornam os álbuns demasiado cansativos, mas neste caso, o efeito é exactamente o contrário. Quanto mais se ouve, melhor fica.

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