Começa logo com o som que mais vezes ouvi este ano, Second Song, em que o refrão é cantado em falsete a fazer lembrar Bee Gee's e que é altamente viciante. Dá logo para perceber as diferenças para os antecessores. Desta vez eles quiseram fazer um álbum mais melódico e mais acessível, mas sem perderem a identidade. A letra da Will Do é brilhante: "Anytime will do / What choice of words will take me back to you?". É fácil perceber o assunto. O final da Repetition é um dos pontos mais altos do disco. Depois de "We lock arms / And walk away unrecognized / We lock arms and spin / Commence our repetition"... agarrem-se! O álbum acaba em grande com a Caffeinated Consciousness.
4 - WU LYF: Go Tell Fire To The Mountain
Levam para casa o prémio "Revelação de 2011". Não se percebe a ponta do que o Ellery Roberts diz nas múscias. Basicamente, ele passa o tempo inteiro a grunhir. É o Bussaco do rock. A fusão do órgão de igreja em fúria com a guitarra, o único instrumento ao qual se pode aplicar a palavra melodia, é perfeita. Foi dos melhores concertos do Alive. Não estavam mais de 50 pessoas a ver, mas os WU LYF não quiserem saber, nem do facto de estarem lá 50 pessoas nem das pessoas que lá estavam. Arrogantes e prepotentes, como se impõe ao verdadeiro rock de Madchester. Em Summas Bliss, ele grunhe: "Man in the wild / you were so young but this cities made you old". A We Bros é uma autêntica marcha de guerra: "We bros you lost man / We bros so long / Put away your guns man / and sing this song". Na Spitting Blood, acerta em cheio: "We are so happy / happy to see / All of our children will run blind and free." E parece que este homem de neandertal também tem sentimentos, tal como demonstra na Concrete Gold: "I'm so sick of all these people / I wish that they would just go slow / Go slow / And watch it grow / I'm so scared of all my dreams / I wish I could sleep tonight".
3 - Toro Y Moi: Underneath the Pine
O Chazwick é mais um miúdo desta nova vaga de one-man projects. É chillwave com muito funk e multi-instrumental. É uma viagem do início ao fim do disco. É um álbum para ouvir fora de casa, longe da cidade. Na Good Hold, talvez o som mais obscuro do álbum, o Chazwick oferece-nos uma experiência auditiva fora do comum entre o 1m35s e o 1m50s (é mais perceptível com phones). O álbum acaba da melhor maneira possível com 6 minutos de Elise: "Carry me, Elise, So I can wave / Carry me, Elise, So I can wave".
2 - Bon Iver: Bon Iver
Dono de um sentido melódico quase perfeito, Justin Vernon construiu um disco menos solitário e introspectivo que o seu antecessor (a obra-prima For Emma, Forever Ago), optando por um registo mais experimental e barroco. É um álbum que nos consegue pôr o cérebro dormente. Há dezenas de instrumentos para descobrir: banjo, guitarras, piano, violino, saxofone, trompete, etc., mas o principal instrumento das canções é a voz sintetizada do Justin Vernon. A sequência final do disco é assombrosa. Calgary e Beth/Rest (uma arriscada viagem do Justin ao baú dos anos 80) intercaladas com a instrumental Lisbon, OH.
1 - M83: Hurry Up, We're Dreaming
A primeira grande protagonista do álbum é Zola Jesus, na faixa de entrada Intro. E está dado o mote para, na minha opinião, uma obra-prima de 72 minutos. A pergunta que me vem à cabeça é: E depois disto? Vão-se reformar? O álbum podia perfeitamente chamar-se Hurry Up, We're Dreaming (with the 80's). É um disco nocturno e espacial que fala de sonhos e que nos faz viajar. Na Claudia Lewis conseguimos perceber que é por esse caminho que o Anthony Gonzalez nos quer levar: "Oh-oh, twenty million years from my place / Is the dream over? / The space, oh-oh, it's mine, oh-oh". Das primeiras 5 faixas do disco, 4 são candidatas a melhores do ano, sendo que a que sobra é um interlúdio. A sexta música é um autêntico parênteses no disco, é uma criança a contar uma história sobre uma espécie de sapos, mas a mim não me convencem que a canção é mesmo sobre sapos: "If you touch its skin / you can feel your body changing / and your vision also / and blue becomes red and red becomes blue / and your mommy suddenly becomes your daddy / and everything looks like a giant cupcake." Humm... O disco termina com a Outro, que contém a mensagem final do Gonzalez: "I'm the king of my own land / Facing tempests of dust, I'll fight until the end / Creatures of my dreams raise up and dance with me / Now and forever, I'm your king".
3 destes 5 cabem aqui. Os outros 2... 1-3-7, para nao me desviar dos outros comentarios.
ResponderEliminarOK. Deduzo que estejas a falar de TyM e de TVOTR. TyM ainda consigo perceber que não seja a tua cena, mas TVOTR... não sei que te diga.
ResponderEliminarTao perspicaz, Goncalo. TVOTR nao precisas de dizer nada, disseste tudo no post: "Desta vez eles quiseram fazer um álbum mais melódico e mais acessível".
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